(2012) Crias do teatro, Simone Gutierrez e Rodrigo Pandolfo se destacam em ‘Cheias de charme’
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| Os atores são amigos fora das gravações Foto: Ana Branco |
RIO - Simone Gutierrez chega pontualmente ao Parque Lage para a entrevista ao lado de Rodrigo Pandolfo, seu colega de cena em “Cheias de charme”. Elétrica, a atriz comenta o horário escolhido para a conversa: 13h30m.
— O número 13 está sempre me cercando. Nasci em 13 de agosto, numa sexta-feira 13, às 13h. Sou Leão com ascendente em Sagitário. Tudo fogo! — relaciona a atriz.
Também leonino (do dia 24 de julho), Pandolfo aparece minutos depois e confirma a impressão que Simone já tinha passado: a atriz é do tipo que puxa papo e se enturma fácil. Com eles, a afinidade foi imediata. Na festa de lançamento da novela de Filipe Miguez e Izabel de Oliveira — que agora está em sua reta final —, os atores dançaram forró como se já fossem amigos há anos.
Hoje, com a convivência, Pandolfo já aponta características da amiga: “Simone tem o riso solto”. Rápida, ela revela que ele, um ator com trabalhos cult no teatro, adora ouvir sertanejo universitário enquanto dirige.
— Na novela, a gente funciona como dupla. Tanto que o nome da Simone é sempre associado ao meu nos comentários que ouço na rua — observa o ator, de 28 anos.
A tal da química realmente aparece em cena. Na trama das sete, Simone vive a mimada Ariela Sarmento, casada com o advogado Humberto Jordão, papel de Pandolfo. No começo a relação parecia ser apenas interesse — ele mantinha um caso com a periguete Brunessa (Chandelly Braz). Mas agora dá sinais de ser amor verdadeiro.
— Tem casal que é assim, vamos combinar? Tem uns lances por fora, mas não se larga nem a pau — observa a atriz.
A prova de que existe um sentimento real ali apareceu depois que Ernani Sarmento (Tato Gabus Mendes), pai de Ariela, perdeu todo seu dinheiro. Ex-funcionário dele, Humberto arregaçou as mangas para sustentar a família.
— Eu falo que a gente é muito mais divertido pobre do que rico. A cena em que Ariela brigava com a irmã, Isadora (Giselle Batista), foi hilária. Por mim, a família Sarmento virava um seriado — sugere Simone.
A atriz adora comédia, e sua trajetória na TV evidencia isso. Ela já viveu tipos cômicos em “Malhação” e “Zorra total”, em 2009. No ano seguinte, surgiu em cena como Lurdinha, a secretária que nunca conseguia falar, em “Passione”. Em 2011, foi protagonista da segunda temporada da série “Na fama e na lama”, no Multishow.
Estreante em novelas, Pandolfo já apareceu na TV na minissérie “Santos Dumont, o desafio do ar”, de 2006, exibida dentro do “Fantástico”. Também fez o seriado “Mulher de fases”, da HBO (2011):
— Eu já tinha sido testado para novelas, mas nunca me frustrei por não ter passado. Esse não era o meu maior foco. “Cheias de charme” aconteceu na hora certa, num momento de maior maturidade calma.
Fora do vídeo, os atores também têm histórias parecidas para contar. Já foram rejeitados em inúmeros testes e ouviram que não tinham o perfil dos personagens.
— A minha família é toda baixinha e gordinha. Cheguei na boca do gol várias vezes e sempre perdia os papéis. As desculpas eram as piores possíveis. Já ouvi que era branca demais — conta a atriz.
Nascida em Ribeirão Preto, interior de São Paulo, Simone dança desde os 3 anos. Ela trocou a casa dos pais pela capital paulista há 12 anos. O interesse pelo canto e a atuação foram despertados nessa época:
— Fui para São Paulo com R$ 3 mil e achava que era uma fortuna. Queria trabalhar com dança e me dei um prazo de um ano para conseguir.
Simone ganhava dinheiro como backing vocal numa banda. E também conseguiu emprego num restaurante em que os garçons se apresentam como cantores. E, como boa parte dos jovens em início de carreira, enfrentou perrengue antes de se estabelecer.
— Morava numa vaga alugada na casa de uma senhora, e ela odiava quando eu chegava tarde. Um dia, para não incomodá-la, dormi na casinha do cachorro. Acordei toda picada por pernilongos — lembra.
Em outra ocasião, a atriz pagou adiantado pelo aluguel do quarto e viu a luz de toda a casa ser cortada no dia seguinte.
— Andava com uma vela no bolso durante todo o tempo que morei lá. O pior foi ter encontrado uma barata naquele quarto — diz hoje, aos risos.
No Rio desde os 15 anos — para batalhar pela carreira de ator —, Pandolfo é gaúcho da cidade Três de Maio. Mas foi criado em Primavera do Leste, no Mato Grosso, para onde se mudou aos 3 anos. Ele, que diz ter sido “um pouco nerd”, também morou em vagas alugadas em casas de desconhecidos. E perdeu as contas dos endereços cariocas em que já viveu desde que veio para a cidade.
— Vim fazer curso de teatro e cheguei a trabalhar numa loja de roupa. Mas depois de 20 dias no inferno, pedi demissão. Não ganhei nada por não ter completado o mês — fala.
Simone passou por uma experiência semelhante quando trabalhou no comércio:
— Eu fui telefonista numa loja de instrumentos musicais e foi a pior fase da minha vida.
Com um ano em São Paulo, a atriz deu os primeiros passos na carreira. Estreou em 2001 numa montagem de “Les Miserábles”. Mas só conheceu o sucesso em 2009 ao interpretar a jovem Tracy Turnblad, protagonista do musical “Hairspray”, que a fez pesar 80 quilos (ela já emagreceu 20).
— Em todos os musicais que fazia eu era sempre a bruxa ou a engraçada. Nunca a princesa. A única heroína gorda era a Tracy. Engordei para fazer o teste sem saber se iria conseguir o papel — conta a atriz, de 1,50 metro.
A carreira de Pandolfo foi pavimentada nos palcos. Ele já tinha chamado atenção nas peças “Bent” (2006) e “Cine-teatro limite”, que lhe rendeu uma indicação ao prêmio Shell, em 2008. Mas a grande virada veio com um musical. O ator brilhou no papel do atormentado Moritz, em “O despertar da primavera”, dirigido por Charles Möeller e Claudio Botelho, em 2009.
Agora, o jovem que começou tocar teclado aos 6 anos aguarda o lançamento de dois trabalhos para o cinema. Ele está no elenco de “Faroeste caboclo”, filme de René Sampaio baseado na canção homônima da Legião Urbana, e em “Eu não faço a menor ideia do que eu tô fazendo com a minha vida”, segundo longa-metragem de Matheus Souza:
— Não posso reclamar de falta de oportunidades.
Fonte: Extra


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